O Dia Internacional em Memoria as Vitimas do Holocausto e comemorado no Brasil desde 2006 e o expresidente Luiz Inacio Lula da Silva o fez pauta de sua agenda. Em 2010, na sinagoga do Recife, estava muito abatido, mas foi ao evento e comentou comigo:
— Voce precisa convidar o proximo presidente da Republica a participar da cerimonia.
— Pode deixar, presidente, nos o faremos.
A entao chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, estava la, assim como em 2009, na Sinagoga Beit Iaacov, em Sao Paulo. E, em 2011, ja presidente, no Rio Grande do Sul. E confirmou sua presenca amanha, em alvador. Esta e mais uma entre as suas varias demonstracoes de apreco em relacaoa comunidade judaica do Brasil. Mas vai muito alem, pois Dilma, como Lula, ratifica seu compromisso contra a discriminacao, o racismo, o antissemitismo e quaisquer manifestacoes de intolerancia.
Desta forma, reiteram a disposicao de dialogar com a Historia e a necessidade de impor a memoria contra o esquecimento, pois da desmemoria nasce a ignorancia, na ignorancia renasce o preconceito e, no preconceito, retorna a intolerancia. Manter viva a lembranca do Holocausto e impedir que se repita, nao importa por que razoes, o assassinato em massa, o genocidio como ideologia e a limpeza etnica como razao de Estado, obra de nazistas tambem que promoveram a mutilacao espiritual, a humilhacao moral, a ruina material e a eliminacao fisica de milhoes de seres humanos.
Estou convencido de que, assim, o Brasil estimulou a que outros paises da AL dessem mais importancia ao Holocausto, pois muitos abrigaram judeus que escaparam ao horror e aceitaram naturalmente viver juntos, e, juntos, construirem o bem comum. Isso embora em alguns paises tenham se refugiado assassinos nazistas, misturados aos despossuidos da guerra, ate serem descobertos e julgados.
De fato, varios chefes de Estado se envolveram mais em eventos emblematicos de suas comunidades judaicas, como as festas de Rosh Hashana e o preito as vitimas do Holocausto. Para eles, participar de alguma forma destas solenidades era reconhecer a contribuicao dos judeus aos seus paises, em todos os campos. Assim o fizeram a ex-presidente Michele Bachelet, do Chile, ela tambem vitima da intolerancia; a presidente Cristina Kirchner e seu finado marido Nestor Kirchner; Juan Manuel Santos, da Colombia; e Hugo Chavez, da Venezuela.
E provavel, e esperamos que outros se juntem e entendam a importancia de ensinar que da ignorancia irresponsavel pode nascer o horror, e esquecer os sofrimentos do passado e perdoar as forcas que os causaram, sem as derrotar. E isso vale para tudo.
JACK TERPINS e presidente do Congresso Judaico Latino-Americano.